Objetivo Específico da Aula

Nesta aula, vamos estudar os principais sistemas de acumulação de custos quanto ao processo produtivo e quanto ao modelo de gestão. Cada empresa adotada tem um sistema próprio de apuração de custos, pois este depende da complexidade de suas operações.

Ao final desta aula, você poderá oferecer medidas de desempenho para programas de melhoria já existentes, utilizando os custos como parâmetro para medições de melhorias no gerenciamento de processos.

Habilidades e Atitudes

1 – Aplicar um modelo de gerenciamento de custos que apóie o crescimento econômico da empresa, utilizando o mapeamento de processos e atividades como entrada para o sistema de custo.
2 – Relacionar as oportunidades de melhoria com as estratégias da empresa e necessidades dos clientes, identificando as possibilidades de melhoria do processo e do produto e apontando as áreas que podem trazer mais retorno financeiro para a organização.

Sistemas de Acumulação de Custos - Aula 04

Custos Gerenciais

O sistema de acumulação de custos tem por objetivos a identificação, a coleta, o processamento, o armazenamento e a produção das informações para a gestão de custos.

O tipo de sistema de acumulação de custos a ser adotado pela empresa é totalmente dependente do produto ou do serviço produzido, bem como do processo de produção empregado.

O sistema de acumulação de custos representa o aspecto do registro ou de escrituração das informações relativas à gestão de custos.

PRINCIPAIS SISTEMAS DE ACUMULAÇÃO DE CUSTOS

Os sistemas de acumulação de custos podem ser classificados quanto:

- ao processo produtivo;
- ao modelo de gestão.


Entre as etapas para a elaboração de um sistema de custos, cabe ao Administrador conhecer o processo de produção, ou seja, o denominado “chão de fábrica”, para que, com base nesse conhecimento, possa estudar o melhor método de custeio a ser aplicado.



Quanto ao Processo Produtivo

SISTEMA DE ACUMULAÇÃO POR PROCESSO (OU CONTÍNUO)


Quando a fábrica produz de modo contínuo, em série ou em massa, a preocupação da Contabilidade de Custos é determinar e controlar os custos pelos departamentos, pelos setores, pelas fases de produção (processos) e, em seguida, dividir esses custos pela quantidade de produtos fabricados no processo, durante certo período - custear o processo fabril em determinado período.

O sistema de custos por processo não se preocupa em contabilizar os custos de itens individuais ou grupos de itens. Em vez disso, todos os custos são acumulados por fase do processo, por operação ou por departamento (centros de custos) e alocados aos produtos em bases sistemáticas.

Esses sistemas são usualmente utilizados em entidades que produzem grandes volumes de produtos uniformes em bases contínuas. Exemplo: produção de geladeiras, carros, mesas (padronizados – em linha).

Quanto ao Processo Produtivo

SISTEMA DE ACUMULAÇÃO POR ORDEM DE SERVIÇO (ENCOMENDA)


O sistema de ordem de produção é mais adequado quando a firma tem um processo produtivo não repetitivo e no qual cada produto ou grupo de produtos é mais ou menos diferente entre si.

Os custos diretos de mão-de-obra e materiais gastos em uma determinada ordem são alocados com base em registros mantidos para esse propósito. Os custos indiretos – aluguel, seguro, eletricidade etc. – são usualmente aplicados às ordens por taxas predeterminadas, tendo como base horas de mão-de-obra direta. Exemplo: móveis sob encomenda, carros sob encomenda etc.

Cada ordem recebe um número ou código. Quando são incorridos custos de material ou mão-de-obra, relacionados com a ordem, eles são registrados na conta produção em andamento do razão e do razão auxiliar que registra os custos de cada ordem.

Quanto ao Processo Produtivo

SISTEMA DE CUSTOS CONJUNTOS - CO-PRODUTOS E SUBPRODUTOS


Segundo Leone (1997), “os co-produtos e subprodutos são produtos conjuntos (não há a possibilidade de fabricar um isolado). Produtos conjuntos são dois ou mais produtos provenientes de uma mesma matéria-prima, ou que são produzidos ao mesmo tempo por um, ou mais de um, processo produtivo”.

Quanto ao modelo de gestão

SISTEMAS DE CUSTOS PELA RESPONSABILIDADE


Para a finalidade de controle das operações e dos próprios custos, procuram-se identificar os custos por departamento, por setor, por centro, por unidade etc. De acordo com esse pensamento, sempre haverá um responsável pela administração do objeto de custeio. Os custos serão identificados, direta ou indiretamente, aos departamentos ou aos centros de responsabilidade.

Assim, o sistema contábil deve ser preparado de acordo com a estrutura e os objetivos organizacionais, representando a Contabilidade pela Responsabilidade uma das formas (modelos) de estruturação contábil baseada no critério de delegação da autoridade, seja ela por centro, departamento, atividade ou outras formas.

Compreendendo a mecânica desse modelo contábil, é possível apontar alguns objetivos da Contabilidade pela Responsabilidade, sendo eles:

O controle das atividades/departamentos/pessoas;

A descentralização da tomada de decisão;

A motivação do quadro de pessoal e sua maior participação;

O planejamento de novas estratégias e projetos;

A avaliação do desempenho setorial e do pessoal;

Para atingir esses objetivos, por meio da Contabilidade pela Responsabilidade, faz-se necessário conhecer e empregar alguns conceitos inerentes ao processo, tais como descentralização, responsabilidade, controle, planejamento e motivação, os quais formam a base de tal metodologia.

Quanto ao modelo de gestão

DESCENTRALIZAÇÃO E RESPONSABILIDADE


A implementação da Contabilidade pela Responsabilidade é conseqüência de mudanças estruturais na organização. Quando da delegação da autoridade, para determinadas pessoas, acaba-se descentralizando o processo de tomada de decisão e proporcionando mais independência aos departamentos.

Não basta, porém, simplesmente implementar esse modelo. A descentralização ocorre somente quando a alta administração assume essa filosofia e delega, de fato, a autoridade aos devidos responsáveis, proporcionando liberdade, dentro dos limites e programas estabelecidos.

A responsabilidade não possui significado, se não for associada a uma pessoa ou grupo de pessoas. Trata-se de uma relação entre hierarquias diferentes, em que um (superior) delega autoridade a outro (subordinado).

A atribuição da responsabilidade dentro da instituição é o estabelecimento de condições para que seus objetivos sejam alcançados de maneira coordenada e efetiva, devendo ser definida e delimitada (programa de descentralização e delegação de autoridade).

Quando se delega autoridade, é possível cobrar e controlar resultados, analisando e avaliando as informações geradas pelos centros informativos especializados.

Na abordagem apresentada, pretende-se demonstrar que a autoridade delegada aos responsáveis não pode restringir-se somente a aspectos burocráticos e produtivos. O gestor departamental será responsável, na essência da palavra, abrangendo, também, aspectos comportamentais, sociais e ambientais.

Quanto ao modelo de gestão

CONTROLE, PLANEJAMENTO E MOTIVAÇÃO


Um dos objetivos da Contabilidade pela Responsabilidade é exercer o controle tanto sobre a produção/atividade, quanto sobre as pessoas envolvidas, procurando comparar os resultados alcançados com os padrões previstos e ainda melhorar, continuamente, o desempenho da entidade pela delegação da autoridade, proporcionando, assim, mais liberdade aos responsáveis.

Entende-se que, com o emprego de tal filosofia, seja possível atingir melhores resultados, decorrentes da competitividade interna, da motivação do pessoal, bem como da pressão exercida pelo emprego de metas a serem alcançadas.

Segundo Leone (1997, p.241), “planejamento e controle andam juntos; um depende do outro; um não funciona sem que também funcione o outro, com a mesma intensidade e ritmo”.

CONSTRUÇÃO DO PROGRAMA DO SISTEMA DE CUSTOS

DEPARTAMENTALIZAÇÃO E CENTRO DE CUSTOS


DEPARTAMENTALIZAÇÃO
É a divisão da empresa em departamentos, com a finalidade de melhor compreender a estrutura da entidade e, assim, racionalizar a alocação dos custos.

DEPARTAMENTOS PRODUTIVOS
São os departamentos que atuam, diretamente, na industrialização do produto ou na prestação do serviço. Neles, promovem-se modificações no produto.



DEPARTAMENTOS AUXILIARES
Têm como característica auxiliar os departamentos produtivos. Existem para prestar serviços aos demais departamentos. Neles, não ocorre nenhuma ação direta sobre o produto.



CENTRO DE CUSTOS

Uma vez definida a estrutura departamental da empresa, nota-se que, quase sempre, um departamento é um centro de custos, ou seja, nele serão apropriados os custos indiretos para posterior apropriação aos produtos fabricados.

Segundo Yoshitake (1997, p.43-45), “o centro de custos, como sistema aberto, é um conjunto de unidades de trabalho em que”:

· as partes ou órgãos componentes do departamento de produção são os subsistemas;
· dinamicamente inter-relacionadas, isto é, em interação e interdependentes, formam uma rede de comunicações e relações recíprocas;
· uma atividade ou função é desenvolvida, constituindo a operação ou atividade ou processo típico desse centro de custos;
· as estruturas para atingir um ou mais objetivos constituem a própria finalidade para a qual o centro de custos foi criado.

O mesmo ocorre com a mão-de-obra direta e outros materiais diretos.

Exercício - Os custos indiretos de uma indústria, durante determinado período, foram: Aluguel = $ 500.000; Materiais indiretos = $ 300.000; Energia Elétrica = $ 246.050; Depreciação = $ 120.000; Outros Custos Indiretos = $ 150.000.  

Sabe-se que:

- O consumo de energia é medido por Departamento.
- Os materiais indiretos, a depreciação e os demais custos indiretos têm, como base de rateio, o consumo de energia elétrica.
- A Gerência da Fábrica rateia seus custos para todos os departamentos com base na área ocupada.
- A manutenção presta serviços aos departamentos produtivos, e o rateio de seus custos é feito com base no consumo de energia elétrica.
- O Almoxarifado presta serviços aos departamentos de Manutenção (na proporção de 2/3) e Usinagem (na proporção de 1/3).
- O Aluguel é atribuído, inicialmente, apenas à Gerência da Fábrica.
- A distribuição dos custos indiretos aos produtos é feita de acordo com o valor da mão-de-obra direta.

  Dados do período:


Os custos diretos referentes a esses produtos, nesse período, foram:



Pede-se Fazer o Rateio dos Custos Indiretos de Fabricação.
Apurar o custo total de cada produto.

Síntese

Nesta aula, tratamos dos sistemas de acumulação de custos quanto ao processo produtivo e quanto ao modelo de gestão. Vimos produção por ordem, por processo, departamentalização dos custos.

PRÓXIMA AULA
Na próxima aula, estudaremos o Custeio por Absorção, apresentando sua mecânica e exemplos de aplicação.

Bibliografia

CREPALDI, Silvio Aparecido. Curso Básico de Contabilidade de Custos. São Paulo: Atlas, 2005.

LEONE, George S. G. Curso de Contabilidade de Custos. São Paulo: Atlas, 1997.

MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 9.ed. São Paulo: Atlas, 2003.