Objetivo Específico da Aula

As empresas comerciais também são envolvidas por operações financeiras, pois, quando necessitam de capital de giro, recorrem aos instrumentos ofertados pelo mercado financeiro e, quando há sobras de caixa, também buscam oportunidades de investimento para seus recursos.

O objetivo desta aula é mostrar como deve ser feito o registro dessas operações pela contabilidade.

Habilidades e Atitudes

1. Contabilizar as operações financeiras das empresas comerciais.
2. Analisar a DFC, fazendo a projeção do Fluxo de Caixa.

Operações Financeiras - Aula 08

INTRODUÇÃO

A projeção de recebimentos e pagamentos da empresa é um instrumento importante para o bom gerenciamento.

Para fazer essa projeção, é necessário conhecer muito bem o comportamento das entradas e saídas de caixa no passado.

A DFC – Demonstração do Fluxo de Caixa – é o relatório contábil que pode mostrar o histórico do que aconteceu com o Caixa da empresa no passado, dando base para a construção de uma projeção para a próxima semana, próximo mês, próximo trimestre, próximo ano etc.

Por meio do planejamento financeiro, o gestor saberá, com antecedência, o momento em que haverá falta de recursos e o momento em que haverá excesso de recursos, tendo possibilidade de planejar suas ações. Poderá solicitar um empréstimo para cobrir a falta de recursos momentânea e poderá programar aplicações temporárias dos excessos de recursos das operações da empresa.

MOVIMENTAÇÕES DO CAIXA

Aumentam o saldo de Caixa

Originadas pelas operações
· Vendas a vista
· Recebimento de vendas a prazo

Originadas internamente
· Integralização de capital pelos sócios ou acionistas
· Vendas a vista de itens do ativo permanente
· Recebimento de vendas a prazo do ativo permanente
· Juros recebidos de aplicações financeiras
· Indenizações de seguros
· Dividendos por investimentos em outras empresas

Originadas por terceiros
· Empréstimos e Financiamentos bancários
· Eventuais doações
· Adiantamento de fornecedores

Diminuem o saldo de Caixa

Pagamentos destinados à manutenção ou aumento das operações
· Aquisição de itens do imobilizado a vista
· Pagamentos de passivos originados pela aquisição de imobilizado

Pagamentos destinados a participações externas
· Aquisição de investimentos
· Pagamentos de passivos originados pela aquisição de investimentos

Pagamentos destinados à remuneração dos sócios ou acionistas
· Distribuição de lucros aos sócios
· Dividendos aos acionistas

Pagamentos destinados às operações
· Compras a vista
· Pagamento de compras a prazo (fornecedores)
· Pagamentos de despesas ou custos
· Pagamentos de passivos originários de despesas ou custos

Pagamentos destinados à amortização de dívidas e seu custo
· Empréstimos e financiamentos.
· Juros, taxas e correção da dívida.

APLICAÇÕES DE SOBRAS DE CAIXA

Quando o gestor observa, em sua projeção de caixa, que, durante um período, haverá sobras, poderá optar pela aplicação financeira adequada à extensão desse período (muito curto ou para um mês ou mais).

· Para um período muito curto (alguns dias), poderá aplicar em Fundos de Investimento; para períodos de sete dias ou mais, poderá aplicar na BMF – Bolsa Mercantil e de Futuros.

· Para períodos de um mês ou mais, poderá aplicar em: - CDB – Certificado de Depósito Bancário. - Depósito a Prazo Fixo. - Letras de Câmbio.

Contabilização

Suponha que uma empresa tenha feito uma aplicação financeira de R$ 40.000 em Letras de Câmbio em 01/12/2006, pelo prazo de 5 meses, com valor de resgate de R$ 60.000.

O lançamento contábil dessa operação será:
01/12/2006



1. CAPTAÇÃO DE RECURSOS PARA COBRIR FALTA DE CAIXA

Empréstimos

Nas operações de empréstimo, os juros são contratados por ocasião do empréstimo, portanto conhecidos.

Suponha, agora, que o gestor de uma empresa tenha detectado, em sua projeção de caixa, uma insuficiência de fundos no mês de dezembro, providenciando a contratação de um empréstimo de R$ 35.000 em 01/12/2006, pelo prazo de 60 dias (vencimento em 31/01/07), gerando um encargo financeiro de R$ 3.500.



Desconto de Duplicatas

É uma operação financeira de curto prazo, na qual a empresa obtém recursos nos bancos.

Para realizar essa operação, é preciso que a empresa tenha feito vendas a prazo, obtendo as duplicatas de venda mercantil. A instituição financeira aplica uma taxa de desconto sobre o valor nominal do título, cobrando, também, tarifas e IOF, creditando à empresa tomadora o valor líquido (valor nominal dos títulos menos os encargos financeiros).

A empresa que desconta duplicatas é responsável pelo seu pagamento ao banco, portanto, se a duplicata for liquidada em dia, o banco fica com o valor pago pelo sacado. Caso o pagamento não ocorra no vencimento, dois ou três dias após, o banco debita o valor da duplicata na conta da empresa que fez o desconto.

Quando uma empresa desconta duplicatas de sua emissão nos bancos, deve contabilizar o seu valor em conta específica (Duplicatas Descontadas), retificadora do saldo da conta de Duplicatas a Receber, no ativo circulante.

Os valores cobrados pelo banco representam despesas antecipadas, que devem ser registradas em conta própria, também no ativo circulante, e apropriadas em contas de resultado à medida que forem sendo incorridos, conforme o regime de competência.

A legislação do Imposto de Renda impõe que as despesas financeiras, decorrentes de títulos cujo vencimento ultrapasse a data de encerramento do exercício, devem ser apropriadas pro rata tempore, nos períodos-base a que competem (art. 374, inciso I, do RIR/99).

Contabilização

Suponha que o gestor de uma empresa esteja com uma carteira de duplicatas no valor de R$ 50.000 emitida contra seus clientes e com vencimento em 45 dias. Fazendo uma análise de sua projeção de caixa, verifica que terá necessidade de recursos durante o próximo mês.

Sua projeção também indica que será uma necessidade passageira devido a um declínio sazonal das vendas.

Assim, o gestor resolve descontar essas duplicatas em um banco, no dia 01 de dezembro de 2006, a uma taxa de juros de 3% ao mês e o banco aplica o desconto sobre as duplicatas:



Onde:
D = Desconto
VF = Valor nominal da duplicata
i = taxa de desconto n = prazo da duplicata
IOF = Imposto sobre Operações Financeiras
VP = Valor Presente (líquido creditado para a empresa)

Na data do desconto do título (01/12/2006)



No dia 15 de janeiro, pela liquidação do título:



Caso os clientes não efetuem os pagamentos no vencimento, o banco debitará a conta da empresa e o lançamento em sua contabilidade será:

Débito: Duplicatas Descontadas R$ 50.000
Crédito: Bancos c/ Movimento R$ 50.000

Descontos Financeiros

  São descontos oferecidos pela empresa a seus clientes pela antecipação do pagamento. Esses descontos são declarados na nota fiscal ou na duplicata, informando ao cliente o valor para pagamento no vencimento e o(s) valor(es) para pagamento antecipado.

Contabilização para o Vendedor



Contabilização para o Comprador



Obs.: As contas de descontos financeiros concedidos e obtidos devem ser encerradas na apuração do resultado, após ser apurado o resultado bruto.

Síntese

Nesta aula, estudamos as operações financeiras mais comuns em uma empresa comercial, as aplicações financeiras, os empréstimos e o desconto de duplicatas.

Na aula impressa, apresentamos os lançamentos no “Diário” e, na aula digital, você poderá ver os mesmos lançamentos em “razonetes”.

Próxima aula:

Na próxima aula, estudaremos as operações com pessoal: folha de pagamento, encargos sociais, férias etc.
Não perca !

Bibliografia

IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARION, José Carlos. Contabilidade Comercial. 4.ed. São Paulo: Atlas, 2000.

JACINTHO, Roque. Contabilidade Comercial. 2.ed. São Paulo: Ática,1987.

MARION, José Carlos. Contabilidade Empresarial. 10.ed. São Paulo: Atlas, 2003.