UNIDADE 2
REFERÊNCIAS
COMO IMPRIMIR
   CONCEPÇÃO INTERACIONISTA DE DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM

objetivos de aprendizagem

» Identificar o processo de construção do conhecimento na escola.

» Destacar a importância da afetividade para o processo
ensino-aprendizagem.

 


Nesta unidade destacaremos as Teorias e as Práticas do processo de construção do conhecimento na escola, discutindo sobre a relevância da Concepção Interacionista para a educação, a partir da relação entre Piaget e Vygotsky, apontando os pontos fundamentais entre eles.

A fim de podermos compreender os fundamentos que embasam as práticas pedagógicas atuais, faz-se necessário investigarmos a concepção de desenvolvimento e aprendizagem que subsidiam, atualmente, os processos de ensinar e aprender na escola. Para tanto, precisamos discutir as teorias de Piaget, Vygotsky e Wallon.

Atualmente, a explicação sobre o processo de conhecimento numa perspectiva interacionista vem adquirindo destaque nos meios educacionais brasileiros. Antes de se analisar as contribuições teóricas dos diferentes modelos interacionistas, pautados em Piaget, Vygotsky e Wallon, é necessário relembrar em que consiste uma abordagem interacionista.

Como se sabe, o processo de conhecimento implica em uma relação entre o sujeito que busca conhecer o objeto a ser conhecido, de tal forma que entre ambos, estabelecem-se relações recíprocas que modificam tanto o primeiro quanto o segundo.

É interessante observarmos, mesmo que a proposta interacionista enfatize a dinâmica recíproca nesta relação, que ocorre o que alguns autores mesmo acreditando nessa interação como condição para que o conhecimento se realize, ou seja, mesmo sendo interacionistas, acabam por privilegiar, ora com maior ênfase ao sujeito, ora ao objeto.

Piaget, Vygotsky e Wallon adotam uma postura reconhecidamente interacionista para explicar suas teorias, compartilhando na mesma esfera a importância do organismo ativo na construção do conhecimento. Todavia, percebe-se que Vygotsky parece ter analisado de maneira diferenciada o desenvolvimento das funções cognitivas a partir de princípios interacionistas. Tal afirmativa se justifica pelo fato de que, Vygotsky (2001) adota como matriz epistemológica de seu interacionismo a dialética materialista, e envereda por pressupostos radicalmente distintos dos adotados por Piaget na postulação de sua teoria.

Em Vygotsky (2001), a integração social e o instrumento lingüístico são decisivos para compreender o desenvolvimento cognitivo, enquanto que em Piaget este último é interpretado a partir da experiência com o meio físico, em que este processo é explicado pelo mecanismo de equilibração das ações sobre o mundo, precedendo e colocando limites aos aprendizados sem que estes possam influir sobre aquele. A teoria piagetiana é apresentada como uma versão do desenvolvimento cognitivo nos termos de uma teoria universalista e individualista do desenvolvimento humano, capaz de oferecer um sujeito ativo, porém abstrato e que faz da aprendizagem um derivado do próprio desenvolvimento.

Enquanto isso, Vygotsky (2001) preocupou-se em explicitar a unidade dialética entre o biológico e o cultural, ou seja, as interações sociais em constante mutação e o substrato do comportamento.


2.1 A TEORIA DE JEAN PIAGET


Fig.01 - Jean Piaget

  Jean Piaget nasceu na Suíça francesa, em 1896, e faleceu em 1980. Seu interesse era grande pelas ciências naturais. Quando adolescente, estudou filosofia, Lógica e Religião, o que despertou seu interesse pela epistemologia, enquanto ramo da Filosofia relacionado com o estudo do conhecimento. Licenciou-se em Ciências Naturais, e doutorou-se com uma tese sobre os moluscos.

2.1.1 Proposta TeÓrica

Jean Piaget buscou conjugar essas duas variáveis – o lógico e o biológico, numa única teoria e, com isso, apresentar uma solução ao problema do conhecimento humano. Recorre à psicologia, tomando-a como base para sua proposta teórica.

Trabalhou com Binet e Simon na padronização de testes de inteligência. Descobriu que as respostas erradas são mais interessantes do que as corretas, e que as crianças da mesma idade cometiam os mesmos tipos de erros nas respostas.

Para compreender o pensamento da criança, era necessário que se desviasse a atenção da quantidade de respostas certas e se concentrasse na qualidade da solução por ela apresentada.

A idéia central de sua teoria, é que a lógica de funcionamento mental da criança é qualitativamente diferente da lógica do adulto.

Faz opção pelo método clínico, isto é, o experimental e a interrogação clínica. O método clínico-experimental funciona ao mesmo tempo como um instrumento de diagnóstico e de descoberta. Uma das peculiaridades do método é o diálogo não-padronizado; mantido entre o pesquisador e a criança, que permite quadros mais reais do pensamento infantil; bem como fugir ao modelo tradicional de entrevistas compostas de perguntas elaboradas previamente.

É por meio da linguagem que a criança justifica suas ações, afirmações e negações e, ainda, é por meio dela que se pode verificar a existência ou não de reciprocidade entre ação e pensamento, e conseqüentemente, o estágio de desenvolvimento cognitivo da criança.

A lógica não é inata, trata-se de um fenômeno que se desenvolve gradativamente. Piaget procura a gênese do conhecimento por meio do estudo cognitivo da criança. Desenvolve seu trabalho num período em que os estudos em psicologia estavam orientados por três concepções: Behaviorismo, Gestalt e Psicanálise.

Piaget utiliza dois princípios básicos da biologia: “Estrutura e Adaptação”. A inteligência é uma característica biológica do ser humano. Existem estruturas específicas para o ato de conhecer, capazes de produzir o conhecimento necessário e universal tão perseguido pela filosofia.

A partir dos exercícios dos reflexos biológicos, que se transformam em esquemas motores e por meio da ação, a criança constrói, gradativamente, suas estruturas cognitivas que se manifestam numa organização seqüencial.
Os esquemas evoluem de primários (exercícios reflexos) até os padrões interiorizados de pensamento. O importante é o esquema dessas ações, isto é, o que nelas é geral e pode ser transportado de uma situação para outra.

O esquema consiste em considerar os aspectos endógenos e exógenos envolvidos na constituição deste mecanismo. É somente na troca do organismo com o meio, que se dá à construção orgânica das referidas estruturas. A ação da criança sobre o meio produz conhecimento funcional cada vez mais complexo, por criar, constantemente, novas combinações ou novos esquemas.

A “lógica das ações” permite à criança construir sua capacidade lógica na medida em que atribui significados ao real, primeiramente no plano concreto e posteriormente no plano abstrato. A necessidade de complementaridade entre a organização e a adaptação é de tal ordem que é somente ao se adaptar ao real que o pensamento se organiza, e ao se organizar estrutura o real.

É por intermédio do mecanismo de adaptação a novas e diferentes circunstâncias que as mudanças nas estruturas mentais são possibilitadas. A assimilação é a incorporação de novas experiências ou informações à estrutura mental, sem, contudo alterá-la. A acomodação é o processo de reorganização dessas estruturas, de tal forma que elas possam incorporar os novos conhecimentos, transformando-os para se ajustarem as novas exigências do meio.

Fatores responsáveis pela psicogênese do intelecto infantil

 


Fator biológico: crescimento orgânico e maturação do sistema nervoso.

O exercício e a experiência física: na ação sobre os objetos.

Interações e transmissões sociais: por meio da linguagem e da educação.

Fator de equilibração das ações: é o alicerce da teoria Piagetiana, quando assimilação e acomodação estão em harmonia; o sujeito está adaptado, em equilíbrio.


Na medida em que as estruturas intelectuais disponíveis apresentam-se insuficientes para operar com a nova situação, acarretando contradições ou discrepâncias em seu conhecimento atual, ocorre o desequilíbrio.

O estado superior e mais complexo, em que as estruturas começam a se adaptar as novas circunstâncias, é denominado de “Equilibração Majorante”.
É por meio desse processo interminável de desequilíbrio e posteriores equilibrações superiores que, no entender de Piaget, ocorre a construção e a progressão do conhecimento.

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