UNIDADE 2
REFERÊNCIAS
COMO IMPRIMIR
   Psicologia Pré-Científica

Objetivo da Aprendizagem

- Compreender a relação entre Filosofia e Psicologia, a partir da análise de temas e questões discutidas por filósofos nas Idades Antiga, Média e Moderna, que compuseram, mais tarde, o campo de investigação da Psicologia Científica.

- Conhecer a contribuição de correntes filosóficas para a fundação da Psicologia científica, no final de século XIX.

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Nesta unidade, você conhecerá o processo que fez com que a Psicologia passasse de ramo da Filosofia à disciplina científica. Verá o quanto algumas correntes filosóficas contribuíram para a fundação da Psicologia Científica.

A compreensão da relação Psicologia e Filosofia é fundamental para que você identifique o fundamento das opções teóricas e metodológicas feitas por Wilhelm Wundt ao fundar a nova ciência em 1879.

A carga horária destinada para esta unidade está distribuída em 8 h/a presenciais e 1 h/a não-presencial, composta de um exercício a ser realizado individualmente e entregue ao professor em data prevista no cronograma da disciplina.

2.1 Fundamentos filosóficos da Psicologia nas Idades Antiga, Média e Moderna.

Temas e questões que compuseram e ainda compõem o campo de investigação da Psicologia Científica, durante séculos, foram discutidos por filósofos. Suas reflexões estão no nascedouro da proposta de transformar estes temas e questões em objetos de estudo científico.

Na idade antiga, os filósofos do Período Antropológico, Sócrates, Platão e Aristóteles foram os maiores representantes do pensamento psicológico da época. Sócrates e Platão representavam uma tendência de pensamento que considerava a alma humana imortal, e o verdadeiro conhecimento resultado de um processo de busca interior. Aristóteles discordava de tais interpretações e acreditava que a alma era tão mortal quanto o corpo, sendo apenas o princípio ativo da vida. O conhecimento para este filósofo nasce da experiência. Para Aristóteles, apesar da alma humana ser a única dotada de razão, animais e vegetais também possuem alma, em um nível menor de complexidade dado as suas características.


Fig. 01 A Morte de Sócrates

Na Idade Média, o conhecimento psicológico passou a ser dominado pela Igreja, que a despeito do que se propagou extensamente em livros de História, recebeu a influência dos filósofos gregos anteriormente citados. Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, em períodos bem distintos, foram os principais representantes deste período. O primeiro, influenciado pelo pensamento platônico e coerente com os dogmas da Igreja, acreditava na imortalidade da alma. Dentre seus principais estudos estão os realizados sobre o tempo e o esquecimento, importantes por tratarem do papel da percepção na vida mental dos seres humanos. São Tomás de Aquino, ao ser influenciado pelo pensamento aristotélico, enfrentou difícil tarefa de conciliar lógica e pensamento religioso. São importantes seus estudos sobre a essência e a existência, a valorização dada a experiência e sua tentativa de explicar/provar racionalmente os dogmas da Igreja.


Fig. 02 São Tomás de Aquino

Para maiores detalhes sobre este período da história: a Psicologia Filosófica, leia:
BOCK, Ana M. B.; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, M. L. T. Psicologias: uma introdução ao estudo de Psicologia. São Paulo: Saraiva, 1999. (Capítulo 2, p. 31 – 35).

Na Idade Moderna, período onde é visível o declínio da Igreja, René Descartes pode ser considerado o primeiro grande representante do pensamento psicológico. Suas contribuições são sintetizadas em quatro pontos: a) a mudança na explicação da relação mente-corpo, o corpo passa a ser visto como responsável por várias funções vitais e capaz de influenciar a mente, por meio da glândula pineal ou conarrium; b) a explicação mecanicista do corpo permitindo, após a morte, o estudo de sua estrutura; c) o estudo dos reflexos, ações executadas pelo corpo sem a participação da mente (undulatio reflexa) e;d) a explicação para a origem da idéias: a doutrina das idéias inatas.


Fig. 03 René Descartes

Esse último ponto das idéias de Descartes suscitou fortes oposições que vieram se configurar em duas correntes filosóficas importantes para o surgimento da Psicologia Científica: o Empirismo e o Associacionismo; ambos influenciados pelo pensamento aristotélico.

O Empirismo se opunha a Doutrina das Idéias Inatas, acreditando que todas as idéias são frutos da experiência. Seu fundador e principal representante é John Locke. As principais contribuições deste autor para a Psicologia são: a) a classificação das idéias em simples e complexas e; b) a discussão sobre as qualidades da experiência: primária e secundária. Além deste autor, outros como G. Berkeley e D. Hume podem ser incluídos nesta corrente de pensamento.

Fig. 04 John Locke

 

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