UNIDADE 2
REFERÊNCIAS
COMO IMPRIMIR
   PROCESSOS BIOLÓGICOS, PSICOLÓGICOS E SOCIAIS DO DESENVOLVIMENTO

COMPETÊNCIAS E HABILIDADES

- Identificar os processos biológicos básicos;

- Compreender como os processos biológicos básicos e como a maturação neurológica se articulam com o desenvolvimento cognitivo e com a constituição do sujeito.


2.1 OS PRIMÓRDIOS: DESENVOLVIMENTO PRÉ-NATAL E O NASCIMENTO

2.1.1 O Início da Vida


Desde o momento da concepção, os seres humanos passam por processos complexos de desenvolvimento. É surpreendente a transformação de uma só célula, o zigoto, em um bebê. As mudanças que ocorrem durante os primeiros períodos do ciclo de vida são mais amplas e aceleradas do que qualquer outra que a pessoa venha sofrer no futuro. Todos os aspectos do desenvolvimento humano estão intimamente interligados, até mesmo no útero. O crescimento físico do cérebro antes e depois do nascimento torna possível o desenvolvimento cognitivo e emocional.

Entretanto, os impactos específicos e posteriores a esse crescimento são profundamente influenciados pelos hábitos de saúde e das atividades da futura mãe, pelas leis e práticas da sociedade (toxinas que afetam a mãe) e pelos costumes culturais relacionados ao nascimento em si.

A vida intra-uterina caracteriza-se pelo mais perfeito equilíbrio, mas para que isto ocorra é necessário que o feto nutra-se por meio do sangue materno, graças a uma reorganização endócrina.

Os três primeiros meses de gravidez constituem-se no mais delicado período da vida intra-uterina, visto que expõem o embrião a perturbações do meio externo.

Segundo Enderle (1987), a atitude da mãe pesará muito no desenvolvimento fetal, pois todas as alterações psíquicas como medos imotivados, depressões ou comportamentos regressivos da mãe, influenciarão na sua gravidez e na futura relação que a mãe terá com o bebê. Para melhor entendimento da vida intra-uterina, leia o texto de Hockenbury e em seguida responda as questões propostas na atividade 1, disponível na ferramenta Atividade.

DESENVOLVIMENTO PRÉ-NATAL

Don Hockenbury

Durante o estágio pré-natal, a célula zigoto desenvolve-se em um feto. Quais são os três estágios de desenvolvimento pré-natal? O que são os teratogênicos e quais os princípios gerais que parecem governar o seu impacto no feto?

Durante a concepção, os cromossomos dos pais biológicos combinam-se para formar uma única célula – o óvulo fertilizado, ou zigoto. Ao longo do período, relativamente curto de nove meses, aquela única célula desenvolve-se em trilhões de células que formam um recém-nascido. Esse estágio pré-natal apresenta três fases distintas: o período germinativo, o período embrionário e o período fetal.

O período germinativo, também chamado de período zigoto, representa as duas primeiras semanas de desenvolvimento pré-natal. Nesse período, o zigoto passa por uma rápida divisão celular antes de se alojar na parede do útero da mãe. Algumas das células do zigoto formarão, no final, as estruturas que alojam e protegem o feto em desenvolvimento e fornecem os nutrientes da mãe. Por volta do final das duas semanas do período germinativo, o zigoto desenvolve-se em um conjunto de células chamado embrião.

O período embrionário começa na 3ª semana e estende-se até a 8ª semana. Durante esse período, de crescimento rápido e intensa diferenciação celular, os órgãos e os sistemas principais do corpo se formam. Os genes dos cromossomos sexuais e as influências hormonais também desencadeiam o desenvolvimento inicial dos órgãos sexuais.


Fig. 03 - Gestação de 9 semanas.
O embrião está alojado de forma protegida no fluido que preenche o saco amniótico e o seu meio de sobrevivência é o cordão umbilical. O embrião recebe nutrientes do cordão umbilical, como oxigênio e água, e libera monóxido de carbono e outros materiais inúteis. O cordão umbilical liga o embrião à placenta, um tecido na forma de um disco na parede uterina da mãe. A placenta não deixa que o sangue da mãe se misture com o do embrião em desenvolvimento, agindo como um filtro para evitar que substâncias nocivas, possivelmente presentes no sangue da mãe, cheguem até o embrião.

Porém, a placenta não pode filtrar todos os agentes nocivos do sangue da mãe. Os agentes ou substâncias nocivas que podem causar um desenvolvimento anormal, ou deformações de nascença, são chamados de teratogênicos. Geralmente, a maior vulnerabilidade aos teratogênicos ocorre no estágio embrionário, quando os principais sistemas do corpo estão se formando. Os teratogênicos conhecidos são:

- Exposição à radiação;

- Produtos químicos industriais tóxicos, como mercúrio e os PCBs (bifenil policlorado);

- Doenças como rubéola, sífilis, herpes genital e AIDS;

- Drogas consumidas pela mãe como álcool, cocaína e heroína.

Por volta do final do período embrionário, o embrião já cresceu de um conjunto de algumas centenas de células, que não é maior que a cabeça de um alfinete, até mais de 2,5 cm. Agora pesa 28 gramas e parece claramente humano, mesmo que a sua cabeça corresponda à metade do tamanho do seu corpo.

O terceiro mês anuncia o início do período fetal – o estágio final e mais longo do desenvolvimento pré-natal. A principal tarefa nos próximos sete meses é promover o crescimento dos sistemas do corpo de forma que eles atinjam maturidade em preparação para a vida fora do corpo da mãe. Por volta do terceiro mês, o feto pode mover braços, pernas, boca e cabeça. Ele é capaz de ter respostas reflexas, como esticar os dedos dos pés se a sola do pé é acariciada, e piscar se as pálpebras são tocadas. No quarto mês, a mãe pode sentir o feto movimentar-se.


Fig. 04 - Gestação de 13 semanas
Por volta do quinto mês, o feto tem ciclos de sono e vigília distintos e períodos de atividade. No sexto mês, a atividade cerebral do feto torna-se semelhante à de um recém-nascido.

Nos dois meses finais desse período, o feto terá o seu peso dobrado, ganhando de um a dois quilos de gordura corporal. Essa gordura extra ajudará o recém-nascido a ajustar-se às mudanças de temperatura fora do útero. Também contribui para a aparência rechonchuda do recém-nascido. À medida que o nascimento se aproxima, o crescimento diminui e os sistemas corporais do feto tornam-se mais ativos.

Você poderá perceber melhor isto na figura a seguir.


Fig. 05 – Feto próximo ao nascimento.

Acesse a Ferramenta Atividade e realize:

Atividade 1 – Verificando a sua aprendizagem sobre o período pré-natal e o nascimento.


2.2 PROCESSOS BIOLÓGICOS DO DESENVOLVIMENTO

Compreender a Psicologia do Desenvolvimento Humano é compreender como o ser humano se desenvolve em seus aspectos físico-motor, intelectual, afetivo-emocional e social, desde o seu nascimento até a velhice.

Existem várias Teorias Psicológicas que explicam o desenvolvimento humano. Como você viu na Unidade I, as teorias são influenciadas pelo momento histórico, mas não podemos esquecer que grande parte delas foi construída a partir de observação, de pesquisas com grupos de indivíduos em diferentes faixas etárias (ou em diferentes culturas), estudos de casos clínicos e acompanhamento de indivíduos.

O desenvolvimento humano deve ser entendido como uma globalidade, mas para efeito de estudo, os autores têm abordado o desenvolvimento a partir de observação, de pesquisas com grupos de indivíduos em diferentes faixas etárias (ou em diferentes culturas), estudos de casos clínicos e acompanhamento de indivíduos.


2.3 PENSANDO SOBRE OS PROCESSOS BIOLÓGICOS BÁSICOS

Para seu melhor entendimento acerca do conteúdo, leia o texto a seguir de Célia Barros.


Fig. 03 - Gestação de 9 semanas.

DESENVOLVIMENTO MOTOR

Célia Silva Guimarães Barros


O desenvolvimento das habilidades motoras é um dos mais visíveis da infância. Em comparação ao que era ao nascer, a criança de 2 anos adiantou-se muito em desenvoltura e coordenação física.


M. M. Shirley estudou algumas crianças de semana em semana e notou que elas têm um padrão definido para o desenvolvimento motor: sustentam a cabeça antes de poderem sentar-se sozinhas, sentam-se antes de poderem engatinhar, e engatinham antes de andar.


Esse padrão de desenvolvimento é quase exatamente o mesmo para todo bebê, mas existem grandes diferenças individuais na velocidade da maturação. A ordem em que as crianças passam de um estágio de desenvolvimento motor a outro é semelhante, mas a idade em que atingem os diferentes estágios varia consideravelmente. Por exemplo: algumas crianças são capazes de ficar em pé sozinhas aos 8 meses e meio, enquanto outras não o fazem antes dos 13 meses de idade.

Tendências do desenvolvimento

Os estudos têm mostrado que a maturação, tanto na vida pré-natal quanto após o nascimento, parecem obedecer a duas tendências de direção:

Direção céfalo-caudal – o desenvolvimento processa-se da cabeça para os pés. Primeiro desenvolve-se a cabeça e o que lhe fica mais próximo; por último, pernas e pés. Por exemplo, na vida pré-natal a cabeça do feto já está bem desenvolvida antes de suas pernas estarem bem formadas. No bebê, a progressão do controle motor também segue a direção céfalo-caudal: primeiro, ele consegue controlar os movimentos da cabeça, depois os dos braços e mais tarde os das pernas.

Direção próximo-distal – o desenvolvimento se processa de dentro para fora. As partes centrais do corpo amadurecem mais cedo e se tornam funcionais antes das que estão próximas da periferia. Os movimentos do tronco e dos ombros ocorrem mais cedo que os movimentos dos braços. Por último, sobrevém o controle das mãos e dos dedos.

Além dessas duas direções, nota-se a tendência em nosso organismo para desenvolver-se da atividade de massa para a atividade específica. As primeiras ações de um bebê são globais e indiferenciadas; lentamente, ele desenvolve habilidade para dar respostas específicas. É típico do bebê agarrar uma colher com toda a mão, antes de conseguir usar o polegar e o indicador para sustentá-la. Antes de o bebê atingir a idade de 1 ano, geralmente não ocorrem atividades refinadas dos dedos e do polegar.

Períodos críticos ou sensíveis

No desenvolvimento de alguns órgãos do corpo e de algumas funções psicológicas, há períodos críticos ou sensíveis.

A primeira pessoa a se referir a este assunto foi Myrtle McGraw há mais de cinqüenta anos. A partir de suas pesquisas, ela concluiu que no desenvolvimento existem períodos de tempo ótimos, durante os quais o treino garantirá a aquisição plena de várias habilidades motoras.

Outros autores observaram que, se o organismo não receber estímulos adequados de seu ambiente (treino, aprendizagem) durante determinados períodos de sua vida, a base física para certas atividades, e também funções, poderá atrofiar-se.

Também no desenvolvimento dos filhotes de certas aves, notou-se a existência de períodos críticos, em que eles são suscetíveis de adquirir certos comportamentos, se forem devidamente estimulados. Observações de Konrad Lorenz com filhotes de gansos, que vimos no capítulo anterior, são um bom exemplo desse fato.

Voltando ao desenvolvimento humano, parece haver períodos de prontidão para a aprendizagem de várias tarefas, como controlar as excreções, ler, escrever, andar de bicicleta etc. Antes de o organismo atingir o desenvolvimento apropriado para a realização de determinada tarefa, não é possível sua aprendizagem.

Pode-se concluir então, que tanto o treino quanto a maturação são processos essenciais no desenvolvimento individual. A maturação controla o crescimento físico e o tempo do aparecimento de atividades motoras como os reflexos de agarrar, engatinhar etc. Embora os psicólogos discordem quanto à importância do treino para os atos de sentar e andar, concordam que, nas atividades mais complexas como falar e subir escadas, a prática específica é necessária. Porém, só quando um organismo atinge um determinado estágio de desenvolvimento físico o treino será completamente eficiente. O treino realizado antes do período de prontidão não só é inútil, como pode ser prejudicial.


Acesse a Ferramenta Atividade e realize:

Atividade 2 – Verificando a sua aprendizagem sobre os processos biológicos básicos.

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