UNIDADE 3
REFERÊNCIAS
COMO IMPRIMIR
   O PLANEJAMENTO DE ENSINO NUMA PERSPECTIVA CRÍTICA DE EDUCAÇÃO


CompetÊncias

» Discussão do significado e a importância do planejamento para uma ação educativa transformadora.

» Compreensão dos elementos constitutivos do plano de ensino.

CompetÊncias

» Destacar o significado e a importância do planejamento para uma ação educativa transformadora.

» Identificar os elementos constitutivos do plano de ensino.

» Elaborar um plano de ensino.



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Antes de iniciarmos a unidade, vamos refletir sobre o que nos diz, o grande educador, Paulo Freire.

Precisamos contribuir para criar a escola que é aventura, que marcha, que não tem medo do risco, por isso recusa o imobilismo. A escola em que se pensa, em que se atua, em que se cria, em que se fala, em que se ama, se adivinha. A escola que apaixonadamente diz SIM à vida.

Paulo Freire

O sonho da construção de uma escola que olhe, perceba, reflita, discuta, planeje e construa a voz de todos e de cada um dos sujeitos sociais, é uma realidade possível, desde que cada ser humano queira. Essa necessidade é real e precisa ser reconstruída urgentemente.

Nesta unidade, abordaremos o planejamento, seus elementos constitutivos e seus diferentes tipos, com a perspectiva de se proceder a análise sobre sua importância e suas contribuições para o desenvolvimento de uma prática educativa mais significativa, consistente, que garanta a efetivação do processo ensino-aprendizagem.

Serão destinadas 12 horas aula para estudos presenciais e 4 horas aula de estudos não-presenciais.

 

3.1 PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO, SEGUNDO ÂNGELO DÁLMAS

Os homens constroem histórias quando participam efetivamente da edificação de uma nova sociedade. Só é sujeito quem interage, vive com responsabilidade e assume decisões conscientes.

A participação consciente e ativa, segundo Dalmás (2000), se exercita na vivência da liberdade responsável. Não existe participação a distância, sem envolvimento, ela só acontece na ação, na efetivação do processo, além de ser um ato de participação coletiva, é o próprio exercício da cidadania.

A participação é processo construído em diversos encontros e a partir de tomadas de decisões em que se pretende: o que se quer (utopia); por que se quer (diagnóstico) e como se quer (programação).

Dalmás (2000, p. 20), alerta que “colaboração não é participação. Esta abrange o poder, enquanto que aquela pode situar-se apenas em nível de prestação de serviços ou como aval de decisões já tomadas”.

Na escola, o planejamento participativo deve ter como agente as pessoas que fazem parte desse espaço, e essas serem responsáveis pelas decisões e caminhos a serem seguidos na escola. Todos os componentes são valorizados e os seus saberes passam a ser priorizados. A proposta é que os participantes planejadores sejam os construtores dessa nova proposta, em todas as suas etapas desde a elaboração, passando pela execução e sendo repensado durante a avaliação.

Autores como Gandin, Castro e Coroacy , Parra, Dror, têm pontos em comuns acerca do que é planejar:

• Todo planejamento tem teoria e esta não é neutra, porque existe um objetivo definido e uma proposta de reconstrução social.

• Só se planeja a partir de decisões dentro de um contexto macro, priorizando-se as necessidades primeiras.

• Planejamento é processo. Esta é a característica mais relevante, porque planejar é uma construção contínua e leva tempo para ser efetivada.

• Planejamento é execução, o próprio ato de acontecer uma ação de muitas pessoas em busca de objetivos comuns, sempre propondo construir algo melhor, mediante o contexto no qual propomos a transformação da realidade. (DALMÁS, 2000, p. 24).


O planejamento é específico para cada realidade, sendo um trabalho integrado de todos, por meio do diálogo, da participação e integração, estes como elementos imprescindível para a sua efetivação.

Dalmás nos fala do planejamento participativo:

 
Este modelo de planejamento obriga a um posicionamento crítico e de participação dos envolvidos, uma consciência critica da realidade, determinando uma ação coerente e eficaz, a fim de promover as mudanças e as transformações desejadas, com vistas a uma aproximação do ideal projetado. (DALMÁS, 2000, p. 27).

 

3.1.1 Planejamento Participativo na escola

A escola deve estar compromissada com mudanças sociais que venham a reescrever uma sociedade melhor, atenta às minorias, possibilitando, a esses excluídos, a vivência dessa nova dimensão, transformando-a para ser justa. A proposta dessa nova ordem deve ser iniciada na escola, local para desenvolver-se atitudes solidárias em busca de atender a todos os sujeitos sociais. Os integrantes/participantes desse processo estarão presente/ação, não só na execução, mas nas discussões de construção dessa nova proposta.

O Dalmás fortalece essa proposta:

 
O planejamento participativo na escola não pode reduzir-se a integrar, escola-família-comunidade, mas também visar a realização das pessoas e transformação da comunidade, na qual a escola esta inserida. (DALMÁS, 2000, p. 28).

O Planejamento Participativo, segundo Gandin (2000), é inovador porque não prioriza a ferramenta, ele parte do pressuposto que não basta só a ferramenta para a ação ser efetivada, é necessário desenvolver “conceitos, modelos, técnicas e instrumentos”. Essa proposta tenta reconstruir uma educação formal deficitária, excludente e descomprometida os grupos sociais menos privilegiados, esse desafio vai além da escola, e busca-se a construção de uma nova sociedade.

Dalmás (2000) nos fala do risco que podem ocorrer durante o processo. Ele chama a atenção sobre a necessidade de se ter um especial cuidado com as assessorias especializadas, para que não seja desviado o interesse da comunidade, a partir de “manipulações” ou “interesses” pessoais da assessoria.

Um outro risco é o uso inadequado de parte da coordenação ao utilizar os meios de propagação do planejamento induzindo a comunidade, fazendo-a aceitar projetos, criar ilusões, sem que estes realmente venham atender às suas necessidades reais.

Sabe-se do risco que uma proposta como essa pode passar, mas deve-se acreditar que a escola é um espaço possível de se fazer educação com consciência, comprometimento, reflexiva, inovadora e participativa. Para realizar-se o sonho é necessário que seus agentes sujeitos desse processo, queiram e estejam engajados em realizar essa mudança possível.

 

• O compromisso no ato de planejar

As ações humanas são construídas com intenções finais, agimos em busca de resultados. O que diferencia este caminhar é como decidimos desenvolver a ação, ela pode ser uma ação intuitiva, sem organização prévia, feita acidentalmente, casualmente, ou pode ser uma ação organizada, pensada, objetivada, consciente e planejada. Dalmás nos fala dessa ação própria do homem:

 
O planejamento relaciona-se com a vida diária do homem. Vive-se planejando. De uma forma ou de outra, de uma maneira empírica ou cientifica, o homem planeja. Algum grau de planejamento é, e tem sido, conatural a toda atividade humana. Sempre que se buscam determinados fins, relacionam-se alguns meios necessários para atingi-los. Isto, de certa forma, é planejamento. (DALMÁS, 2000, p. 23).


Na escola devemos planejar nossas ações, não podemos agir de qualquer maneira em busca de qualquer resultado, devemos definir ações que nos levem a resultados significativos e com propostas de mudanças para edificarmos uma escola que viva e reconheça as histórias que existem dentro dela, uma escola capaz de interagir culturas e respeitar as diferenças. Logo, não podemos pensar que a escola é um espaço qualquer, onde desenvolvemos trabalhos descomprometidos e não refletimos seus resultados. A escola é um espaço coletivo, rico na diversidade humana e muitas vezes, o único espaço possível de transformação social.

Para a realização de um planejamento eficaz devemos levar em consideração três pontos importantes levantados por Masetto (1997), o primeiro é a participação dos integrantes da escola, momento em que é privilegiado o envolvimento de todos no processo de ensino-aprendizagem da escola, momento de decisões conjuntas dentro de um contexto diversificado de funções e de pontos de vistas diferentes. O resultado deste momento será o mais próximo possível da realidade em que se concretizará o planejamento.

O segundo é a participação dos diversos níveis da escola, refletir as ações educativas desenvolvidas em todos os níveis existentes na escola. Partiremos da filosofia da escola, identificaremos recursos humanos, físicos e econômico-financeiro. Definem-se objetivos a serem alcançados ao final de cada série ou nível. As diversas variáveis são consideradas:

 
[...] consideradas: organização curricular necessária; áreas de conhecimento e disciplina ou matérias a serem desenvolvidas e exploradas; como se dará a integração de disciplinas, de áreas do conhecimento e de atividades; expectativas para o papel do professor e de aluno; bibliografia básica e como se dará o acesso do aluno a essa bibliografia; processo de avaliação implementado de forma a colaborar com a aprendizagem do aluno a ser um elemento motivador para a mesma; como os professores se constituirão enquanto uma equipe de docentes com objetivos comuns. (MASETTO, 1997, p. 78).

No terceiro ponto, o autor nos fala da avaliação como característica essencial para tornar o planejamento um instrumento eficiente na ação educativa. O ato de avaliar nos permite um constante (re)planejar em busca de mudanças que nos levem a resultados mais próximo dos objetivos traçados. O planejamento nasce de uma intenção, traçado, primeiramente, como um pequeno esboço de uma realidade ainda não conhecida, apenas a partir de pequenas pistas como: objetivos gerais, faixa etária alunos, séries, perfil socioeconômico, disciplinas a serem ministradas, conteúdos, faltando ainda o principal que é o conhecimento da realidade dos alunos, nesse momento ocorre a primeira adaptação do planejamento.


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