UNIDADE 3
REFERÊNCIAS
CONSIDERAÇÕES FINAIS
COMO IMPRIMIR
   METODOLOGIA DO PLANEJAMENTO CURRICULAR

b) Os marcos de referência e os paradígmas curriculares x planejamento curricular.

Ao se discutir planejamento curricular, lembramos também de um outro enfoque que não se deve esquecer de abordar no campo do currículo no Brasil; é o correspondente às idéias de Domingues (1988) que, como um dos pioneiros dos estudos das teorias americanas transferidas para o Brasil, classifica os modelos curriculares em: Técnico-linear, Circular–consensual e Dinâmico Dialógico. São enfoques que se encontram presentes nas práticas de construção e reestruturação do planejamento curricular

O modelo Técnico-Linear apresenta uma forma de tomada de decisão para o planejamento curricular, a partir dos especialistas, com a intenção de garantir o controle e a maximização do rendimento. Trata os principais componentes curriculares (OBJETIVOS-CONTEÚDOS-EXPERIÊNCIA-AVALIAÇÃO) de forma linear, equivalente aos moldes da teoria de Ralph Tayler Uma das características básicas deste paradigma é a ênfase em objetivos, estratégias, controle/ avaliação. Um processo em que não há retroalimentação e a avaliação não existe numa perspectiva transformadora.

Observe atentamente a estrutura a seguir:

Modelo técnico-linear

O modelo circular–consensual trata os referidos componente (OBJETIVOS-CONTEÚDOS-EXPERIÊNCIA-AVALIAÇÃO), de forma retroalimentadora, menos hierárquica. Há envolvimento dos membros da escola; há mais participação, entretanto, predominantemente, numa perspectiva consensual, e, ainda, com resquícios do Paradigma Técnico Linear. É um paradigma permeado por compreensão, que enfatiza a interação, o processo grupal. Percebe-se que, embora trabalhe também com os quatro elementos representados no gráfico, referidos componentes curriculares já são estruturados em círculos, o que nos aponta para uma não-linearidade, para uma retroalimentação do processo.

Observe com atenção a estrutura do modelo a seguir:

Modelo Circular

O outro paradigma apresentado, aproxima-se de uma perspectiva Dinâmico-dialógico. Caracteriza-se por um modelo circular mais aperfeiçoado. Uma postura mais democrática, crítica, acentuando um interesse emancipatório. É mais dialogal e participativo.

Você está pensando em qual dos paradigmas se ancorará quando estiver participando ou coordenando um planejamento curricular? Reforçamos novamente que a opção por um determinado paradigma, implicará nas formas de selecionar e organizar os componentes curriculares.

Atente, no gráfico, para os sete componentes do plano curricular.

Ao considerarmos a escola como o espaço da dinâmica curricular, uma de suas principais tarefas é, portanto, planejar o currículo. Tarefa inerente à ação coordenadora do(a) pedagogo(a), na função hábil de empreendedor (a) e mobilizador (a) de ações.

É sabido também, que um plano curricular, corresponde à previsão de todo trabalho a ser desenvolvido na escola e deve conter os marcos ou rumos.

Contém um plano curricular, o Marco Referencial que se desmembra em Marco Situacional, Doutrinal e Operativo.

O que significa num plano curricular, cada um destes “marcos” (rumos, demarcação, fronteira, sinal de demarcação)?

O Marco Referencial significa a tomada de decisão da escola, que planeja em conformidade com a sua identidade e sua visão de mundo, utopias, sonhos valores, objetivos, expressando a filosofia e os fundamentos teóricos que darão sustentação à prática.

O Marco Situacional diz respeito ao diagnóstico da situação institucional. (interna e externa). É um olhar dos planejadores sobre a realidade geral da escola. Corresponde a um levantamento da realidade, incluindo questões que vão desde as percepções que os pais têm da escola (externa) até à avaliação e identificação de acertos, forças e falhas (internas).

O Marco Doutrinal expressa o ideal de homem, cidadão, educação e de sociedade que se busca. Corresponde ao ideal geral da instituição, buscando resposta às seguintes perguntas:

  • Que sociedade se pretende construir?

  • Que homens e pessoas queremos ajudar na sua formação?

  • Que finalidade queremos para a nossa escola

  • Que papel queremos que a nossa escola exerça?

O Marco Operativo diz respeito ao como viabilizar as ações e como transformar o proposto no vivido.

Acesse a ferramenta Atividades, e realize

Atividade 1 – Distinguindo modelos e marcos para o Diagnóstico da Realidade, tendo em vista o planejamento curricular

 

Acesse a ferramenta Atividades, e realize

Atividade 2 – Revisando a aprendizagem sobre “modelos” e “marcos referenciais”

 

c) Os sete passos do planejamento curricular

Vamos agora, mesmo que em linhas gerais, trabalhar os sete grandes passos ou etapas da organização curricular.

Com os “marcos” estabelecidos, iniciamos a organização do currículo, visto que sua confecção é iniciada pelo Diagnóstico da Realidade. Este é o primeiro grande passo do Planejamento Curricular.

Lembre-se leitor ou leitora, que você terá a oportunidade de se definir pelo enfoque que norteará sua prática na construção de uma proposta curricular. Os passos necessários à construção de um plano curricular refletirão suas opções teórico-metodológicas.

Os passos de um planejamento curricular são:

 

Primeiro passo: Diagnóstico da Realidade Escolar.

Segundo passo : Formulação de Objetivos Curriculares.

Terceiro passo : Seleção de conteúdos.

Quarto passo : Organização dos conteúdos.

Quinto passo: Seleção das Experiências e Recursos de Aprendizagens.

Sexto passo: Organização das Experiências e Recursos de Aprendizagens.

Sétimo passo: Avaliação curricular.

 

Primeiro passo Diagnóstico da Realidade Escolar

Como elaborar um diagnóstico? Orientações para a elaboração do diagnóstico de uma escola.

O diagnóstico alimenta o Planejamento Curricular e, por conseguinte, o projeto pedagógico. O que possibilita o conhecimento das características, expectativas e necessidades da escola e da comunidade, que afetam o processo ensino-aprendizagem. Portanto, tem um papel básico na definição de diretrizes e metas para a organização didático-pedagógica-administrativa da escola.. Antes do COMO elaborar é necessário que conheçamos as funções do diagnóstico, ou o seu PARA QUÊ.


Funções do diagnóstico

• Coletar informações quantitativas e qualitativas, para se saber como e com que meios a escola vem atendendo sua tarefa principal: ensinar, educar! formar;

• Possibilitar a análise das informações coletadas, em termos da qualidade do serviço oferecido à população, indicando elementos para tomada de decisões, isto é, para o planejamento.

 

Passos para se fazer um diagnóstico

• Levantamento de dados, de acordo com um roteiro, mediante registro de informações e entrevistas;

• Descrição dos dados coletados e observados: o que acontece e como acontecem as coisas na escola;

• Análise e interpretação dos dados; apreciação qualitativa com base no conhecimento teórico dos elementos constitutivos da organização escolar e nos objetivos esperados da instituição escolar. Neste tópico, verificam-se os problemas existentes e marcam-se as alternativas de solução;

• Indicações de medidas a serem tomadas: pontos a serem considerados na escola para modificar as condições de funcionamento detectadas no diagnóstico.

 

A intenção é anunciar aos referidos passos a fim de que você busque fontes alternativas como por exemplo: sites, referências bibliográficas e outras indicações para aprofundar a temática.


Segundo passo: Formulação de Objetivos Curriculares


Vamos fazer algumas reflexões básicas a respeito de Objetivos Curriculares. Quando trabalhamos com formulação de objetivos faz-se necessário, primeiramente, o levantamento de alguns questionamentos:

 

• Que espécie de pessoas se pretende que os alunos sejam, no final de uma determinada fase da sua escolaridade?

• Para que perfil de qualidades pessoais, sociais, profissionais ou outras se espera contribuir com este ou aquele plano de estudos e programa?

• Que finalidades educativas são refletidos nos pressupostos e orientações fundamentais que estão na base do currículo?

• Que grau de concretização dar aos objetivos?

• Devemos incluir apenas objetivos finais ou também intermediários?

É preciso, porém, entendermos que as atividades educativas escolares, caracterizam-se por serem atividades intencionais que respondem a propósitos, e perseguem a consecução de metas, já que uma das tarefas do Currículo é proceder a análise, classificação, identificação e formulação das intenções que presidem o projeto educacional.

Muitas outras perguntas podem ainda serem feitas, porém, caberá a você, antes de qualquer elaboração educativa, questionar-se, pois o importante de tudo isso é saber que para formulação dos objetivos, precisamos ter claro os objetivos gerais e específicos. Para tanto, faz-se necessário que compreendamos:

 

1 – Os objetivos gerais:

• apresentam proposições gerais sobre comportamentos / competências alcançáveis a longo prazo;

• decorrem de uma filosofia, dos fins da educação;

• são os resultados da aprendizagem, complexos alcançáveis em períodos mais amplos. Ex: objetivos dos níveis de ensino, das áreas de estudo, objetivos da escola, objetivo das séries;
• derivam da explicitação das metas.

2 – Objetivos específicos:

 

• Os objetivos específicos / habilidades, derivam da explicitação dos objetivos gerais, onde são enunciados em termos concretos, devendo ser entendidos pelas pessoas do mesmo modo, já que fornecem uma orientação mais precisa acerca do que se pretende alcançar. Ex: objetivos das disciplinas e dos conteúdos.

• Os objetivos específicos englobam os objetivos operacionais, por isso incluem os seguintes elementos:

 

a) pessoas de quem se espera o comportamento;

b) comportamento esperado, que traduz ou revela a aprendizagem pretendida;

c) nível de proficiência ou critério de sucesso, resultado do que foi atingido;

d) quando deve acontecer o comportamento;

e) estratégia de avaliação, que permite verificar o comportamento..

 

Para que então possamos construir objetivos curriculares, é preciso que se respeitem alguns aspectos que serão devidamente aprofundados nas aulas presenciais. Pedimos, entretanto, que continue dando a devida atenção a seus estudos, fazendo inter-relação com as demais disciplinas do curso, e nesta temática, dar real atenção à DIDÁTICA. Esta disciplina lhe ajudará bastante no entendimento de Currículo.

 

Terceiro passo: Seleção de conteúdos

Formulados os objetivos é hora de apresentarmos o 3° passo de nossa metodologia, o qual chamamos de Seleção dos Conteúdos.

E o que é Conteúdo?

Sacristán (2000), definir o que é conteúdo, é algo muito conflitante na história do pensamento educativo e da prática de ensino. Reflete perspectivas, visões, enfoques e opções diversas, tendo em vista que conteúdo de ensino corresponde a uma construção social, e como tal, nem sempre tem o mesmo significado em tempos e espaços educativos. Precisa-se saber: Que função queremos que este conteúdo cumpra? De que conteúdo se deve tratar? Por isso é que os conteúdos curriculares ou de ensino, são carregados de significações e valores e refletem a função que a escola difunde num contexto social e histórico concreto.

Para Sacristán (2000, p. 150), “os conteúdos compreendem todas as aprendizagens que os/as alunos devem alcançar para progredir nas direções que marcam os fins da educação numa etapa da escolarização”. Se recuarmos um pouco no tempo, vimos Turra (1985, p.103), informando que conteúdo “ diz respeito a organização do conhecimento em sí, sobre a base de suas próprias regras internas de unidade”. A referida autora, diz também que outros teóricos consideram conteúdo como as experiências educativas, no campo do conhecimento, devidamente selecionadas e organizadas pela escola. Pode-se também inferir que conteúdos dizem respeito a saberes, conhecimentos sobre os quais se trabalha na escola.

Ao se pensar em conteúdos, temos a clareza de que eles não se resumem ao que ensinar; supõem, também, nos situarmos numa plataforma de decisões condicionada a uma série de questões prévias relativas ao que a escola é, e para quê é; que peso deve ter cada disciplina, com que atitude nós devemos acerca dos conhecimentos, se disciplinas ou interdisciplinas logo se vê que, pensar em conteúdo, é pensar em questões que ultrapassam a mera justaposição de teorias, de matérias.

É preciso verificar que a seleção dos conteúdos pode vir a ser trabalhada de forma disciplinar ou interdisciplinar, dependendo da posição que a escola queira adotar.

Vejamos, no quadro a seguir a diferença entre as duas formas de estruturação:

 

Quanto à implicação na seleção, essa ocorre em virtude da escolha dos conteúdos, pois quando trabalhamos por disciplina a quantidade, a profundidade, a metodologia de trabalho e o pessoal envolvido, apresenta-se de uma forma. Quando escolhemos a interdisciplinaridade tudo fica diferente, as coisas tomam outro rumo, tanto pelos problemas que abordam pelos modelos teóricos e conceptuais que geram, quanto pelos resultados que apresentam.

Por isso, precisamos dar um tratamento especial na seleção dos conteúdos a serem trabalhados em todos os níveis da Educação Básica, optando por aquilo que é fundamental, necessário e significativo para a formação do educando, pois selecionar conteúdo de forma curricular é pensar no todo, pensar nos tópicos gerais que serão definidos pela equipe de especialistas por meio dos programas; nos tópicos específicos que serão definidos pelos professores por meio dos planos de ensino e no tratamento curricular que deve partir do programa oficial, determinado pelo Ministério da Educação.


Quarto passo: Organização dos conteúdos

Veja como já está ampliado seu conhecimento sobre os passos da construção de um Plano Curricular. JÁ ESTAMOS NO QUARTO PASSO. Legal!

O quarto passo trata da Organização dos Conteúdos, pois não basta apenas selecioná-los, é preciso também saber organizá-los, e para esta organização precisamos, primeiramente, entender que se trata de um esquema conceitual caracterizado por inter-relações.

A finalidade maior da organização está no fato de simplificar a compreensão dos conteúdos, economizar esforços intelectuais, favorecer o progresso da aprendizagem e estabelecer uma maior significação e contextualização, tudo isso no menor espaço de tempo possível.

Como fazer então esta ordenação? Será muito complexa?

É simples, basta você entender que essa ordenação se dará de duas formas:

 


• Na verticalidade, que leva de um nível de complexidade a outro mais elevado, o que acontece de série para série, quando o assunto é o “mesmo”, mais dado de maneira profunda a cada ano que passa;

• Na horizontalidade, que relaciona os diferentes campos do conhecimento humano. Essa horizontalidade é desenvolvida dentro da mesma série em que o aluno estuda, na qual os conteúdos devem ser articulados entre si, permitindo uma maior compreensão dos fatos e das coisas, favorecendo ao aluno, uma aprendizagem mais significativa.

Além das formas acima explicitadas, precisamos adotar alguns critérios básicos na organização dos conteúdos e que estão indicados e estudados nas aulas presenciais, entretanto para que você continue atento a este assunto sugerimos que amplie seu conhecimento, ao fazer uma leitura das seguintes referências:

TURRA, Clódia Maria Goddoy (org). Planejamento de ensino e avaliação. Porto Alegre: PUC. EMMA, 1985.

LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1991.

VEIGA, Ilma Passos Alencastro. Didática: o ensino e suas relações. Campinas: Papirus, 2001.

 

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