A ESCOLA – ORGANIZAÇÃO

1.1.7 Elementos da administração escolar

De acordo com Martins (2007), os elementos da administração escolar são os mesmos estabelecidos por Fayol à administração geral – já apresentados no inicio desta unidade –, apenas substituindo o termo previsão por planejamento. Assim, elencamos os seguintes elementos: planejamento, organização, assistência à execução, avaliação dos resultados e relatório.

E quando a referência é a gestão da escola? Como compreender o processo administrativo na organização escolar?  A seguir compartilhamos alguns saberes.

 

1.1.8 Compartilhando saberes sobre gestão escolar

A partir de agora, você vai conviver com a expressão gestão escolar – termo que se torna fortemente utilizado em razão da LDB de l996 –, que dispensa atenção particular à gestão escolar, quando atribui inúmeras incumbências às organizações escolares.

Antes de qualquer coisa, é preciso ressaltar a distinção entre Gestão Educacional e Gestão Escolar.

 

Gestão Educacional – instância de formulação (esfera macro)

Gestão Escolar – instância de execução (esfera micro)

 

O termo Gestão surge em razão das políticas que traduzem as intenções do Poder Público que ao serem transformadas em práticas se materializam na gestão.

  • O que entendemos por Gestão?
    • são processos interacionais e sistemáticos com o propósito de se chegar a uma decisão e de fazer da decisão uma ação.

    • é a atividade pela qual uma organização mobiliza procedimentos e recursos para atingir seus objetivos, envolvendo os aspectos gerenciais e técnico-administrativo.

Em se tratando de gestão escolar, podemos dizer que a concepção do termo está intimamente relacionada à organização do trabalho pedagógico. Portanto, a administração escolar deve ser exercida por um/ a educador/ a que possua formação pedagógica e visão administrativa. Esta última, de preferência, baseada na efetiva participação de todos os envolvidos na ação educativa da escola.

 

Pelo endereço eletrônico a seguir, você tem acesso ao artigo Política(s) e Gestão da Educação Básica: revisitando alguns conceitos simples, da Professora Sofia Lerche Vieira.
 
http://www.ppged.ufrn.br

OBS: Uma vez acessado o site, localize ANPAE, e selecione “click aqui”, logo aparecerão vários artigos, então, localize o que foi indicado.

 

Atenção! A leitura do artigo é recomendada para que você aprofunde seus conhecimentos.

Após a leitura do artigo da Profª Sofia Lerche Vieira, continue seus estudos. O próximo assunto abordará a Gestão/ Administração no Contexto da Atualidade.

 

 

1.1.9 A gestão/ administração educacional no contexto da atualidade

 

  • Características da escola atual – modelo tradicional

A base estrutural é o modelo burocrático de concepção funcionalista → faiolista → acumulação de conhecimentos.

A concepção e a execução constituem ações distintas → alguns planejam, outros executam, obedecem.

Administrativo e Pedagógico são separados, independentes → autoridades diferentes.

 

Fundamentos psicopedagógicos desse modelo

Aprender
  • é adquirido conhecimento de fora para dentro.

Professor

  • deve ser um bom transmissor, deve dominar o conteúdo; valores e atitudes não constituem parte de suas intenções de ensino (espera-se que aconteçam por decorrência).

Aluno

  • tem atitude passiva diante do conhecimento.

Avaliação

  • consiste na verificação/ mensuração de quanto o aluno aprendeu, quantidade de noções – limitando-se ao aspecto cognitivo.

FunÇÕes da escola

  • ser reprodutora do modelo de sociedade existente;

  • guardiã do patrimônio cultural;

  • sua qualidade é medida em função de sua competência propedêutica – preparação para os níveis superiores de ensino – única via de acesso ao conhecimento e de ascensão social.

Papel do diretor

  • manter a ordem, cumprir a legislação, garantir o cumprimento das obrigações estabelecidas oficialmente (papéis/ funções), resolver problemas que não podem ser solucionados pelo professor; representar a escola.

 

1.1.10 O Novo Cenário decorrente da Revolução Tecnológica

Com o advento da Revolução Tecnológica, encontramos uma sociedade totalmente diversa, apresentando características distintas às do passado.

  • Não existem verdades absolutas – tudo é provisório.

  • O ambiente é instável, as situações e os problemas enfrentados são imprevisíveis – as soluções devem ser encontradas rapidamente.

  • A competitividade é uma marca – a disputa é grande – vence o melhor / o mais preparado.

  • Não basta “saber” – o conhecimento do abstrato – é necessário que ele esteja atrelado ao “fazer”.

  • Escola é apenas um dos locais onde se aprende informações por toda parte.

  • A educação é um trabalho cada vez mais complexo.

  • Profissionais mais qualificados.

  • Dirigentes escolares encaram seu trabalho e o desempenho do seu papel revela um descompromisso com o pedagógico.

 

1.1.11 A Escola renovada – bases científicas

  • Assume como ponto de partida as concepções psicopedagógicas provenientes do sócio-construtivismo.

  • Requer uma base organizacional totalmente oposta àquela definida pelo modelo burocrático do qual se originou.

 

 

                              Fundamentos psicopedagógicos desse modelo


Aprendizagem
  • Aprendizagem e desenvolvimento são conceitos interligados – é importante saber onde se pretende chegar e de que forma essas conquistas ajudam o indivíduo em seu processo de desenvolvimento.

Alunos

  • Diferem significativamente – quanto a predominância de determinado tipo de inteligência.

Professor

  • Mediador do conhecimento, viabiliza o processo de aprendizagem → organizador do ambiente de aprendizagem.

  • Aquele que investiga e aprende junto com os alunos – trabalha em parceria com as experiências.

  • Descobre e favorece o desenvolvimento de talentos, instiga a busca e a descoberta.

Avaliação

  • Geração da negociação.

  • Avaliação da aprendizagem é contínua.

Funções da escola

  • Formar o cidadão participante, ativo, consciente do social.

  • Formar o “ser humanizado” → desenvolvendo habilidades gerais, de competências amplas.

Papel do diretor

  • Promove mudanças estruturais – flexibilidade;

  • Utiliza os diferentes espaços de informações;

  • Faz parcerias com outras instituições;

  • Incorpora a tecnologia na aprendizagem;

  • Viabiliza a participação dos alunos nas decisões de forma responsável;

  • Propicia o desenvolvimento profissional dos professores;

  • Favorece a participação da comunidade na escola - conselhos;

  • Abre portas da escola para a comunidade externa;

  • Assume com responsabilidade os resultados do trabalho escolar – sucesso ou fracasso – definindo políticas de ação;

  • Coloca o administrativo a serviço do pedagógico – executa o projeto pedagógico;

  • Mantém o currículo e a sua implantação no centro das atenções, definindo prioridades em função dele.

 

1.1.12 Atribuições e responsabilidades dos gestores escolares a partir das funções na escola renovada

  • Dinamizar o trabalho escolar, ampliando o espaço de ação da escola.

  • Organizar o trabalho de forma cooperativa e responsável.

  • Exercer função com eficiência e liderança, descobrindo potencialidades e aproveitando-as em prol de causa comum.

  • Fortalecer a autonomia da instituição representando-a, trabalhando na captação de recursos para realizar as suas propostas.

  • Trabalhar com a comunidade de forma ordenada e produtiva, criando mecanismos de comunicação interna e externa eficientes e desenvolvendo canais efetivos de participação, promovendo ações que envolvam os vários setores.

 

No próximo item abordaremos os Modelos de Gestão.

1.1.13 Modelos de gestão

O que é:

Modelo de Gestão é o conjunto de concepções filosóficas e idéias administrativas que operacionalizam as práticas gerenciais nas organizações.

Existem três grandes modelos de gestão:

  • Técnico-científico ou funcionalista.

  • Auto-gestionário.

  • Democrático-participativo.

Os estudos da moderna Administração Científica empregam esses termos para fundamentar a discussão do modelo que uma organização faz uso ou poderá implementar, caso deseje mudar. Por exemplo: em uma escola, a gestão pode fazer uso do modelo funcionalista, porém, deseja implantar o modelo de gestão democrática.

No entanto, ressaltamos que as concepções de gestão escolar refletem posições políticas e concepções de homem e de sociedade, e que o modo como uma escola se organiza e se estrutura tem um caráter pedagógico, quer de conservação, quer de transformação social.

Agora, vamos verificar o significado e as características de cada um dos modelos identificados.

 

Modelo Técnico-Científico ou Funcionalista

O modelo técnico-científico baseia-se na hierarquia de cargos e funções, visando à racionalização do trabalho, a eficiência dos serviços escolares. Segue os princípios e métodos da administração empresarial. São características deste modelo:

  • Prescrição detalhada de funções, acentuando-se a divisão técnica do trabalho escolar (tarefas especializadas).

  • Poder centralizado no diretor, destacando-se as relações de subordinação em que uns têm mais autoridade do que outros.

  • Ênfase na administração (sistema de normas, regras, procedimentos burocráticos de controle das atividades); às vezes, descuidando-se dos objetivos específicos da instituição escolar.

  • Comunicação linear (de cima para baixo), baseada em normas e regras/ hierarquia de cargos e funções.

  • Maior ênfase nas tarefas do que nas pessoas → eficiência dos serviços escolares

Atualmente, esta concepção também é conhecida como gestão da qualidade total.

 

Modelo Auto-gestionário

O modelo auto-gestionário baseia-se na responsabilidade coletiva, na ausência de direção centralizada e na acentuação da participação direta e por igual de todos os membros de instituição.

Tem como características:

  • Mais ênfase nas inter-relações do que nas tarefas.

  • Decisões coletivas (assembléias, reuniões), eliminação de todas as formas de exercício de autoridade e poder → participação direta e por igual de todos os membros da organização.

  • Vínculo das formas de gestão interna com as formas de auto-gestão social (poder coletivo na escola para preparar formas de auto-gestão no plano político).

  • Ênfase na auto-organização do grupo de pessoas da instituição, por meio de eleições e alternância no exercício de funções.

  • Recusa as normas e sistemas de controles, acentuando-se a responsabilidade coletiva.

  • Ausência de direção centralizada.

  • Crença no poder instituinte da organização.

 Este modelo reafirma a sua crença no poder instituinte da instituição (vivência da experiência democrática no seio da instituição para expandi-la à sociedade) e recusa todo poder instituído. De acordo com esta concepção, o caráter instituinte se dá pela prática da participação e auto-gestão, modos pelos quais se contesta o poder instituído.

 

 

Modelo Democrático Participativo

Este modelo baseia-se na relação orgânica entre a direção e a participação do pessoal da escola. Acentua a importância da busca de objetivos comuns assumidos por todos. Defende uma forma coletiva de gestão em que as decisões, coletivamente, advogam que cada membro da equipe assuma sua parte no trabalho, admitindo-se a coordenação e a avaliação sistemática da operacionalização das decisões tomadas dentro de uma real diferenciação de funções e saberes.

Tem as seguintes características:

  • Definição explícita de objetivos sócio-políticos e pedagógicos da escola, pela equipe escolar.

  • Articulação entre a atividade de direção e a iniciativa e participação das pessoas da escola e das que se relacionam com ela.

  • A gestão é participativa, mas espera-se, também, a gestão da participação.

  • Uma vez tomadas às decisões, coletivamente, advoga que cada membro da equipe assuma sua parte no trabalho.

  • Exige qualificação e competência profissional.

  • Requer objetividade no trato das questões da organização e gestão, mediante coleta de informações reais.

  • Acompanhamento e avaliação sistemáticos com finalidade pedagógica: diagnóstico, acompanhamento dos trabalhos, reorientação de rumos e ações, tomada de decisões.

  • Todos dirigem e são dirigidos, todos avaliam e são avaliados.

 

O modelo democrático-participativo tem sido influenciado por uma corrente teórica que compreende a organização escolar como cultura.

Esta corrente afirma que a escola não é uma estrutura totalmente objetiva, mensurável, independente das pessoas. Ao contrário, a escola depende muito das experiências subjetivas das pessoas e de suas interações sociais, ou seja, dos significados que as pessoas dão às coisas enquanto significados socialmente produzidos e mantidos. Em outras palavras, dizer que a organização é uma cultura significa que ela é construída pelos seus próprios membros.

Esta maneira de ver a organização escolar não exclui a presença de elementos objetivos, tais como: as formas de poder externas e internas, a estrutura organizacional e os próprios objetivos sociais e culturais definidos pela sociedade e pelo Estado.

Uma visão sócio-crítica propõe considerar dois aspectos interligados: por um lado, compreende que a organização é uma construção social, a partir da experiência subjetiva e cultural das pessoas; por outro, que essa construção não é um processo livre e voluntário, mas mediatizado pela realidade sociocultural e política mais ampla, incluindo a influência de forças externas e internas marcadas por interesses de grupos sociais, sempre contraditórios e às vezes conflitivos.

Nesse modelo, a gestão busca as relações solidárias, formas participativas, mas também valoriza os elementos internos do processo organizacional: o planejamento, a organização, a gestão, a direção, a avaliação, as responsabilidades individuais dos membros da equipe e a ação organizacional coordenada e supervisionada, pois precisa atender a objetivos sociais e políticos claros, em relação à escolarização da população.

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