UNIDADE 4
CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS
COMO IMPRIMIR
   PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO EMPRESARIAL

Objetivos

» Identificar e aplicar as técnicas de planejamento estratégico empresarial na área da saúde privada;

» Elaborar planos de ação visando à superação e principalmente a antecipação de possíveis problemas.


 

4.1 A EMPRESA COMO SISTEMA

Vamos começar com um diálogo ilustrativo de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll.

 

Alice: - Por favor, você poderia me dizer que caminho devo seguir?

Gato Cheshire: - Isso depende muito do lugar para onde você quer ir.

Alice: - Eu não me importo para onde.

Gato Cheshire: - Então não faz diferença o caminho a pegar.

A organização que escolher a abordagem do "Eu não me importo para onde" pode se ver à mercê de forças múltiplas no mercado. A concorrência pode dominá-la; idéias novas podem substituir seu produto; novos métodos de marketing podem fazer com que seus sistemas de distribuição fiquem obsoletos. A organização pode nunca atingir seus objetivos.

O planejamento envolve (1) escolher um destino, (2) avaliar os caminhos alternativos e (3) decidir sobre o rumo específico para alcançar o destino escolhi­do. O planejamento é um elemento extremamente importante da função de cada gerente, seja do ponto de vista organizacional ou de seu conjunto de responsabilidades pessoais do dia-a-dia. O custo de um erro resultante do velho método de tomada de decisão "empurrando com a barriga" é alto demais na economia complexa de hoje. O planejamento força os gerentes a sentar e refletir sobre os problemas e alternativas até chegarem a uma solução.

 

Lembrete

Podemos descrever o planejamento como (1) escolher um destino, (2) avaliar os caminhos alternativos e (3) decidir o rumo específico. O planejamento é uma disciplina que pode ajudar os gerentes a refletir sobre os assuntos e os problemas até chegarem a uma solução e a prever alternativas para direcionar as decisões e superar os problemas.

 

4.2 ELABORAÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO DO PLANEJAMENTO NA EMPRESA

O planejamento é a ferramenta que possibilita alcançar um ponto desejado no futuro, atravessando um caminho desconhecido entre o presente e o momento almejado. Esse processo permite tornar concreto esse caminho, mediante a análise das nuances da atual situação, da avaliação dos recursos disponíveis, sejam políticos, econômicos ou cognitivos, e da atitude em relação ao plano que os atores que dominam esses recursos têm, seja de apoio, oposição ou indiferença. Essa análise deverá viabilizar o cálculo das ações mais adequadas para atingir os propósitos.

Planejamento Estratégico é um processo de construção de uma ponte entre o aqui e agora e um futuro desejado, construído com dados, ações, informações, recursos e competências, e é, também, uma conjugação e uma articulação de esforços de pessoas na busca de objetivos comuns. Ou seja, o planejamento não é só uma ferramenta, é também um processo de aprendizagem que envolve as pessoas na busca de uma mesma visão.

O planejamento estratégico surge como alternativa aos problemas, possibilita o surgimento de soluções contra o desperdício de tempo, de recursos humanos e materiais, e vislumbra uma nova forma de atuação, mais propositiva.

O planejamento estratégico está relacionado com os objetivos estratégicos de médio e longo prazo que afetam a direção ou a viabilidade da empresa. Mas, aplicado isoladamente, é insuficiente, pois não se trabalha apenas com ações imediatas e operacionais: é preciso que, no processo de planejamento estratégico, sejam elaborados de maneira integrada e articulada todos os planos táticos e operacionais da empresa.


Fig. 01: Planos táticos e operacionais decorrentes do planejamento estratégico.
Fonte: CHIAVENATO; SAPIRO, 2003, p. 40.

É um processo e uma filosofia. No primeiro caso pode explicitar objetivos e definir estratégias e políticas para alcançá-los. Trata-se de decisão prévia sobre o que deve ser feito, quando, como e quem vai fazer; e, no segundo caso, é uma concepção, um modo de vivenciar a organização, visto que a eficácia de um planejamento depende de inúmeras variáveis, dentre elas: o envolvimento, a participação e a colaboração, como atitudes de valorização e integração ao processo.

Requer o planejamento estratégico, mais do que outros esforços, além do desenvolvimento, na equipe de administração, de entrosamento e compartilhamento de valores, filosofia e prioridades corporativas, um claro entendimento da missão da organização e competência administrativa.

O planejamento estratégico consiste em desenvolver a capacidade de olhar criticamente o presente a partir do futuro, e não o futuro com os olhos do presente. A construção desse modelo pode ser efetivada e enriquecida se for realizada com equipes multidisciplinares e interfuncionais, e não individualmente. Deve-se buscar uma visão compartilhada.

O planejamento estratégico é um processo de formulação de estratégias organizacionais no qual se busca a inserção da organização e de sua missão no ambiente em que ela está atuando (CHIAVENATO; SAPIRO, 2003, p. 39).

Assim, os alicerces e os fundamentos para as estratégias são compostos pela visão, missão, abrangência, princípios e valores e posicionamento estratégico.
Conforme Chiavenato (CHIAVENATO, SAPIRO, 2003, p. 41), o processo de planejamento estratégico é constituído pelos seguintes elementos:

  1. Declaração de missão:a missão é o elemento que traduz as responsabilidades e pretensões da organização junto ao ambiente e define o "negócio", de­limitando o seu ambiente de atuação. A missão da organização representa sua razão de ser, o seu papel na sociedade. Ela é, claramente, uma definição que antecede o diagnóstico estratégico.
  • Visão de negócios:a visão de negócios mostra uma imagem da organização no momento da realização de seus propósitos no futuro. Trata-se não de predizer o futuro, mas sim de assegurá-lo no presente. A visão de negócios cria um "estado de tensão" positivo entre o mundo como ele é e como gosta­ríamos que fosse (sonho). Pode servir também como uma fonte inspiradora, um chamamento que estimule e motive as pessoas a verem realizada com sucesso a missão declarada. A visão de negócios associada a uma declaração de missão compõe a intenção estratégica da organização.

  • Diagnóstico estratégico externo:o diagnóstico estratégico externo procura antecipar oportunidades e ameaças para a concretização da visão, da missão e dos objetivos empresariais. Corresponde à análise de diferentes dimensões do ambiente que influenciam as organizações. Estuda também as dimensões setoriais e competitivas. A formulação de estratégias a partir da análise competitiva está baseada no modelo proposto por Porter, composto de cinco forças atuantes sobre a organização: o poder de barganha dos clientes e fornecedores; a ameaça de substitutos e novos concorrentes entrantes e a rivalidade dos atuais concorrentes.

  • Diagnóstico estratégico interno:corresponde ao diagnóstico da situação da organização diante das dinâmicas ambientais, relacionando às suas forças e fraquezas e criando as condições para a formulação de estratégias que representam o melhor ajustamento da organização no ambiente em que atua. O alinhamento dos diagnósticos externos e internos produz as premissas que alicerçam a construção de cenários.

  • Fatores-chave de sucesso:a inclusão da avaliação dos determinantes de sucesso no processo de planejamento empresarial foi proposta por Ansoff26 em 1980. Esse recurso metodológico é uma etapa do processo, inserindo-se entre o diagnóstico e a formulação das estratégias propriamente ditas. Elas procuram evidenciar questões realmente críticas para a organização, emergindo dos elementos apontados na análise realizada com a aplicação do mo­delo SWOT, de cuja solução dependerá a consecução da missão. Os determinantes de sucesso são também denominados fatores críticos de sucesso e encaminham as políticas de negócios.
  • Sistemas de planejamento estratégico:o propósito dos sistemas de planeja­mento estratégico é a formulação de estratégias e sua implementação pelo processo de construção das ações segundo as quais a organização perseguirá a consecução de sua visão de negócios, missão e objetivos e de sua implementação por meio de planos operacionais (também chamados de programas táticos). Foram propostas metodologias para a operação de sistemas de planejamento estratégico englobando a etapa de formulação e a de implementação e controle das estratégias. Na Figura 1, o eixo vertical-central representado pelo processo de formulação das estratégias compreende as etapas de criação, avaliação e escolha e implementação. Esse eixo é alimentado por quatro fluxos de informação e conhecimento. Os dois fluxos superiores representam o diagnóstico estratégico, com a análise externa à esquerda e a análise interna à direita, e os dois fluxos inferiores embasam as considerações sobre os valores da organização.
  1. Definição dos objetivos:há autores que inserem os objetivos no processo de formulação das estratégias, como os seguidores do modelo Harvard, e há aqueles que trabalham a definição dos objetivos como parte separada da formulação das estratégias. De qual­quer maneira, a organização persegue simultaneamente diferentes objetivos em uma hierarquia de importância, de prioridades ou de urgência.

O Planejamento se coloca como a primeira das funções a ser desenvolvida na gestão de qualquer organização, pois, sem planos, não se pode organizar eficientemente os indivíduos, controlar resultados ou administrar de forma geral a instituição. Ele tem como característica principal a preocupação com o longo prazo e com a gestão global da organização.

Logo, o Plano Estratégico (PE) é o instrumento de formalização do Planejamento Estratégico. A versão preliminar desse plano constitui a base para a elaboração do Plano Estratégico Institucional.

Caracteriza-se, também, como um processo pelo qual os administradores definem os objetivos, a forma de buscá-los e as restrições e capacidades internas e externas à organização.

Esse modelo à primeira vista, apresenta muitas semelhanças com o modelo de Oliveira (2001) e com os demais modelos de planejamento estratégico, o que reforça o pressuposto de que a técnica e a ferramenta de Plano Estratégico – PE é muito semelhante, independente da natureza da organização. A principal diferença reside na ênfase em determinadas fases e aspectos e no peso que certos conceitos, como a missão, têm na elaboração de um plano estratégico.
De acordo com Oliveira (2001), o processo de planejamento pode ser divido em cinco grandes blocos:

  • Orientação: nesse bloco são definidas a visão, a missão, princípios e vocação da organização, objeto do planejamento;

  • Diagnóstico: fase em que é feita toda a análise, tanto de aspectos internos quanto da parte ambiental, procurando identificar pontos fortes e fracos, oportunidades e ameaças, a fim de se levantar as possíveis estratégias a serem traçadas;

  • Direção: momento em que serão definidos as estratégias, objetivos e metas e serem atingidos;

  • Viabilidade: bloco que é composto dos instrumentos de verificação da viabilidade das decisões tomadas;

  • Operacional: caso sejam consideradas viáveis as estratégias definidas, devem ser estabelecidas as ações, além de um cronograma.
Os tópicos do plano estratégico estão apresentados no Quadro 1.

Quadro 01 – Tópicos do planejamento estratégico

TÓPICOS DO PLANO ESTRATÉGICO

Cenário(s) e premissas básicas

ORIENTAÇÃO

• Visão

• Missão e Abrangência

• Princípios e valores

• Posicionamento Estratégico

DIAGNÓSTICO

• Estratégias corporativas

• Estratégias de diversificação

• Estratégias de alianças e parcerias

• Estratégias de expansão

DIREÇÃO

• Áreas estratégicas atuais e novas

• Mapeamento do portfólio

• Estratégias para rotação do portfólio

• Estratégias competitivas

• Objetivos e metas

VIABILIDADE

• Para mudanças no ambiente

• Para revisão e adequação do propósito

• Para capacitação competitiva

• Para capacitação corporativa

OPERACIONAL

• Investimentos estratégicos

• Orçamento estratégico

• Cronograma de implantação

• Sistema de vigilância estratégica


Fonte: Oliveira, 2001.

 

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